“Fico tão cansada às vezes, e digo para mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. (…) então eu não sentia nada, podia fazer as coisas mais audaciosas sem sentir nada, bastava estar atenta como estes gerânios, você acha que um gerânio sente alguma coisa? quero dizer, um gerânio está sempre tão ocupado em ser um gerânio e deve ter tanta certeza de ser um gerânio que não lhe sobra tempo para nenhuma outra dúvida…”
terça-feira, 5 de julho de 2011
Poderíamos casar , teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.
Caio F. Abreu
domingo, 3 de julho de 2011
Hoje me bateu uma vontade de mudar.. Estranho, me deu vontade de ser mais gostosa, mais loira, mais extravagante. Acho que estou meio perdida, pois minha mudança não devia começar por ai.
Antes, eu devia ser menos grossa, mais educada.. e todas aquelas coisas que a gente sempre tem que mudar pra melhor. Mas não, o que eu quero mesmo é ser mais bonita. Iai? kkk
sábado, 2 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Ele era um pé. Ela era toda coração. Ele gostava de estar em terra firme; gostava de parar e ponderar. Ela tinha que se manter em movimento; bombeava fluidos a cada instante. A comunicação entre eles às vezes sofria interferências. Ele tinha ciúmes por dividi-la com os outros. Ela, por sua vez, sabia que ele também se dividia, só menos descaradamente.
O que o Pé não percebia era que o Coração se mantinha em movimento apenas por ele, nada mais. Mesmo que sua tarefa se ampliasse, ela sabia que seria unicamente dele se pudesse. Queria provar isso, mas não sabia como. Ela perdoava todas as vezes em que ele corria e ela precisava acelerar-se para acompanhá-lo. Algum erro dela, no entanto, seria imperdoável. No fundo, queria ser apenas o outro pé. Lado-a-lado. Ainda que se desencontrassem em várias caminhadas, poderiam parar juntos, como duas metades daquele inteiro.
Algumas vezes descia até o estômago para estar mais próxima. Outras vezes parecia ir parar na mão de tão perdida. Quando desencontrava o ritmo, desesperava-se. Condenada a ser coração para o resto da vida, ela apenas continuava seu trabalho. Batendo em si mesma. Em movimento.
Não o culpava, sabia que era seu destino.
Oi, Julho. Espero que você seja muito bom e passe bem devagar. Não gosto de agosto. ¬
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